Zonas Classificadas 2017-02-14T16:10:51+00:00

Zonas Classificadas

A Reserva Natural da Lagoa do Fogo é assim classificada tendo em conta os valores estéticos e naturais em presença, a singularidade geológica e a respetiva importância para as espécies, habitats e ecossistemas protegidos.

A área é classificada desde 1974 como Reserva Natural, tendo sido reclassificada pelo Decreto Legislativo Regional nº 19/2008/A, de 8 de Julho, encontrando-se, assim, inserida no Parque Natural da Ilha de São Miguel. Situa-se numa posição central de S. Miguel e o seu limite geográfico é definido pela bacia hidrográfica da Lagoa do Fogo. Esta Reserva compreende uma área total de 5,07 km2, contudo, apenas 2,2 km2, ou seja, 43,7% da sua área está inserida no concelho de Vila Franca do Campo.

A caldeira vulcânica, onde se encontra a lagoa, corresponde ao colapso da cratera do estrato-vulcão do Fogo. As encostas são íngremes e cobertas de mato natural, com flora endémica em abundância e diversificada, como é o caso do cedro-do-mato (Juniperus brevifolia), o louro (Laurus azorica) e o sanguinho (Frangula azorica). Surgem ainda a malfurada (Hypericum foliosum), a urze (Erica azorica) e o trovisco-macho (Euphorbia Stygiana).

A principal fauna são, as aves terrestres, como o pombo-torcaz-dos-Açores (Columba palumbus azorica), o milhafre ou o queimado (Buteo buteo rothschildi), a alvéola-cinzenta (Motocilla cinérea) e o melro-preto (Turdus merula azorensis), e as aves marinhas como a gaivota-de-patas-amarelas (Larus cachinnans atlantis) e o garajau-comum (Sterna hirundo), que nidificam na área.

A água da lagoa alimenta várias nascentes localizadas nas vertentes da caldeira. A quase ausente intervenção humana tem permitido manter um elevado valor biológico, nomeadamente, no que diz respeito ao mato com flora indígena.

O Ilhéu de Vila Franca do Campo está localizado na costa sul da Ilha de São Miguel, a cerca de 1 Km da costa da vila que lhe deu o nome.  Descoberto em 1537, a história do Ilhéu de Vila Franca do Campo atravessa numerosos proprietários e funções tão diferentes como de forte militar, porto de abrigo, vigia da baleia e zona de cultura de vinha, tendo sido mais tarde adquirido pelo Governo Regional dos Açores.

Em 1983, face a um uso indiscriminado, surgiu a necessidade de proteger o interesse natural e paisagístico do ilhéu, tendo sido publicado o Decreto Regulamentar Regional n.º 3/83/A, que classificou o Ilhéu de Vila Franca do Campo como Reserva Natural. Em 2008 foi integrado no Parque Natural da Ilha de São Miguel, reclassificado como área protegida para a Gestão de Habitats ou Espécies, pelo Decreto Legislativo Regional nº 19/2008/A, integrando ainda a área protegida de Gestão de Recursos da Caloura – Ilhéu de Vila Franca do Campo, mantendo-se, no entanto, os objetivos que levaram inicialmente à sua classificação como Reserva Natural, privilegiando-se a manutenção de valores naturais e a gestão sustentável de recursos. Integra ainda as zonas de reserva integral de captura de lapas definida no nº 3 do artigo 4º do Decreto Regulamentar Regional nº 14/93/A, de 31 de julho.

O ilhéu ocupa uma área de 0,06 Km2 e a sua atual morfologia é o resultado da ação da erosão marinha sobre um cone vulcânico que resultou de uma erupção submarina do tipo surtesiano.

Presentemente, os bordos da cratera compõem dois ilhéus, o ilhéu Pequenino situado na costa nordeste e o Ilhéu Grande que constitui a maior estrutura emergente. A cratera por eles definida, forma uma baía quase circular com cerca de 150 metros de diâmetro que comunica com o mar através de um pequeno canal orientado a norte, entre o ilhéu Grande e o ilhéu Pequenino. Blocos de rocha basáltica dominam as zonas mais influenciadas pela ação da ondulação, tais como o canal de entrada e as várias fissuras através das quais a água sai da cratera (localmente conhecidas por golas).

Embora marcada por uma forte intervenção humana, as comunidades terrestres incluem ainda matos macaronésios naturais de faia e urze, onde subsistem espécies como o bracel (Festuca Petraea), o junco (Juncus Acutus), a urze (Erica Scoparia Azorica) e a faia-da-terra (Myrica Faya). Para além do Bracel da-rocha e da Urze encontram-se ainda outras espécies pertencentes à flora endémica açoriana, como é o caso da Erva-leiteira (Euphorbia azorica), a Cabaceira (Pericallis malviflora), a Salsa-burra (Daucus carota L. ssp. azoricus) e a Vidália (Azorina vidalis).

É, no entanto, a bacia do ilhéu que abriga as suas maiores riquezas, a variedade de mico ecossistemas proporciona a existência de elevados índices de biodiversidade, destacando-se a presença de numerosas espécies de algas e invertebrados que constituem um valioso património que deve ser salvaguardado.

Para além disso, O ilhéu constitui uma importante zona de nidificação para aves marinhas migratórias, como por exemplo, o cagarro (Calonectris diomedea borealis) e o garajau-comum (Sterna hirundo).

Apesar de não ser habitado, o Ilhéu de Vila Franca do Campo tem sido tradicionalmente usado como zona de recreio.

A Lagoa do Congro, encontra-se integrada no Parque Natural da Ilha de São Miguel e está classificada como área protegida para a gestão de habitats ou espécies, pelo Decreto Legislativo Regional nº 19/2008/A, de 8 de Julho. Constituíram fundamentos específicos para a classificação da Área Protegida para a Gestão de Habitats ou Espécies da Lagoa do Congro os valores tradicionais, estéticos e geológicos em presença. Os limites territoriais da Área Protegida para a Gestão de Habitats ou Espécies da Lagoa do Congro são definidos pela bacia hidrográfica da Lagoa do Congro.

A Lagoa do Congro localiza-se na área central da ilha de São Miguel, numa zona relativamente plana, distando para este da Lagoa do Fogo, aproximadamente 5,5 km. A nível administrativo, esta lagoa está localizada nas freguesias de Ribeira das Tainhas e Ponta Garça, no Concelho de Vila Franca do Campo e está inserida numa cratera de explosão vulcânica tipo maar, formada por uma explosão freatomagmática, em que o magma ao ascender encontrou um nível freático (de água) e o contacto entre as elevadas temperaturas do primeiro com a água originaram bruscas explosões. A bacia hidrográfica e o plano de água da Lagoa do Congro são de reduzida dimensão, com cerca de 0,34 Km2 e 0,051 Km2, respetivamente. O diâmetro da cratera é de cerca de 500 metros, com taludes ingremes constituídos maioritariamente por rochas de traquito, atingindo os 120 metros de depressão em alguns pontos.

A vegetação atual é o resultado duma forte alteração humana na sua estrutura e composição durante séculos. A área foi usada durante muitos anos como floresta de produção e como mata ajardinada pelos diferentes privados.

A floresta que circunda as lagoas é constituída principalmente por espécies arbóreas exóticas: criptoméria (Criptomeria japonica) e incenso (Pittosporum undulatum). O povoamento de criptoméria ocupa a parte mais elevada da cratera, enquanto o incenso domina as margens e chega a ocupar algumas das áreas mais elevadas.

Relativamente aos peixes podemos observar na lagoa, carpas (Cyprinus sp.) e percas (Perca fluviatilis). Em quantidade significativa existe também o réptil, tritão-de-crista (Triturus cristatus carnifex), espécie protegida pela Convenção de Berna. Para além disso a lagoa é bastante visitada por aves migratórias.